Latest Entries »

( )

Quero correr

esconder-me.

Quero ultrapassar

muros que me seguram.

Quero esticar-me

tocar a chama.

Quero sentir

sol alegre na cara.

Quero ver

nuvens a voar.

Quero viajar

levado pelo vento.

Quero mostrar

um espaço só nosso.

.                             .

e quando lá estou,

fui até lá contigo.

Francisco Ferreira

Insónia

Pela noite

a Lua levou o meu torpor.

Pela noite

saí pela porta do temor.

Caí cansado, adormecido num oceano dourado

de olhos transpirados, por uma chama fascinado.

.

Não queria magoar, mas esta sensação vagueava

pela noite

e magoava por vaguear.

Sem dormir, indomado por uma trela de luz

esta sensação durará noite dentro,

e magoava por perdurar.

.

 Nunca havia visto o brilho do Sol

de um ponto mais alto que a Alva.

Não quero estar sozinho

Apenas quero estar, só.

Alva

Francisco Ferreira

Chegada

Se quiseres caminhar um pouco,
Podíamos desperdiçar este dia.
Segue-me pelas árvores,
Eu afasto os ramos.
 
Traz algumas mudanças até à ponte
Traz algum álcool também.
Ali faremos o nosso último desejo,
Mesmo antes da queda.
 
Promete que serei para sempre teu,
Promete não dizer outra palavra.
O que está feito assim o está,
Sempre a sorte acompanhou.
 
Olha o pôr-do-sol sozinho,
Sentado nos carris.
Ouve o comboio trovar adiante,
Nunca voltará.
 
Deitado silencioso na relva,
Tudo está parado.
Pedras de rio e ramos partidos,
Amontoados na montanha.
 
Promete que serei para sempre teu,
Promete não dizer outra palavra.
Aqui eternamente bem enterrado na terra,
O que está feito assim o está,
Sempre a sorte acompanhou.

( Francisco Ferreira )

Fugitivo

Temos a alma, temos o espírito
Para nos mantermos vivos, continuamos a correr.
A casa arde, manchada de petróleo
Mantemo-nos em fuga, um passo à frente das chamas.

Somos os ignitores
Mais rápido vamos, antes que nos apanhem!
Talvez vejamos, talvez não
A tua cara, enquanto atiramos a pedra.

Sou um fugitivo em corrida
Carrego o peso do que fiz.

Aqueles que nasceram do suor,
por entre olhares apaixonados,
trazem mais vida,
do que por outros emanado.

Não é por seres de onde és mas para onde vais
E por o que acreditas é mais do que o que sabes.
Abre a tua mente! Abre a tua mente!
Agarra-me bem, enquanto saltamos para o abismo.

Sou um fugitivo em corrida,
Carrego o peso do que fiz.

Não carregues, tu também, o peso, não carregues.
Não consegues mudar o mundo, 
Consegues mudar o que está para vir,
O mundo não, certamente,
O que está para vir, 
A ti pertence.

Sou um fugitivo em corrida,
Carrego o peso do que fiz.

( Francisco Ferreira )

 

 

Negativo

 

Até que, então, o vejo.

O anjo dos meus pesadelos, a sombra de fundo na morgue,

a vítima inesperada experimenta a escuridão do vale.

Não há mais liberdade.

Se quiseres, poderás sempre encontrar-me,

teremos o nosso Carnaval, na véspera de Natal,

e à noite, desejaremos que não acabe nunca,

nunca acabe.

Aonde estás? Desculpa-me,

não consigo dormir, não consigo sonhar esta noite.

Preciso de alguém e sempre

a sombra volta para me assombrar.

Enquanto fixo, pasmado, conto

todas as teias das aranhas

que vão capturando alguns mais,

enfartando-se, roubando-lhes o interior.

Indeciso de te alcançar,

ouvir a tua voz da razão.

Volta e acaba com esta dor esta noite,

acaba esta noite.

Sem ti,

quente, numa caixa, sem ar, respiro.

Em fumo, o meu figurino acena.

Sem mim.  

 

(Francisco Ferreira)

 

Perdidos

Lembras-te de aquela noite,

escadas brancas descendo do luar?

Elas levaram-te por espaços abertos,

ambientes desertos.

Crianças ganham altura,

em baloiços enferrujados,

partilhando um sonho

numa ilha, parecia correcto.

Mantivemo-nos lado-a-lado,

entre a lua e a corrente,

fazendo o mapa das estrelas,

perdemo-nos.

Deixamos a noite cercar-nos

a meio caminho das estrelas,

flutuamos, libertamo-nos.

Sentimos a caminhada segura ao nosso lado.

Lembras-te de aquela noite,

o calor e o riso?

As velas queimavam, embora a igreja

estivesse deserta.

Caminhamos juntos, por ruas vazias,

até ao porto.

Os sonhos podem partir,

mas ouvem cada riso.

Deixamos a noite cercar-nos

a meio caminho das estrelas,

flutuamos, libertamo-nos.

Sentimos o calor ao nosso lado.

 

(Francisco Ferreira)

 

 

 

 

Difícil dizer

 

Descubro que é difícil dizer

Que tudo está bem.

Não olhes para mim dessa maneira,

Como se tudo estivesse bem.

Porque os meus próprios olhos não conseguem ver

Através de todos os falsos pretextos.

Mas o que não consegues ver

São todas as consequências.

Julgas as nossas vidas baratas,

Fáceis de serem desperdiçadas.

Enquanto a história se repete,

Tão falsa e mirrada.

E enquanto as pessoas dormem,

Demasiado confortáveis para a enfrentarem,

As suas vidas tão incompletas,

E nada as pode substituir.

E eu digo, não te amedrontes,

Com estas leis dos Homens.

Porque já a Bíblia diz:

“O seu sangue está nas suas mãos”.

E o que eu tenho a dizer, o que direi,

Revolta-te enquanto hoje é hoje,

Escolhe bem, não podes continuar por esse caminho,

Escolhe.

E enquanto as pessoas dormem,

Demasiado confortáveis para a enfrentarem,

As suas vidas tão incompletas,

E nada, e ninguém, as pode substituir.

E o que eu tenho a dizer, tenho de dizer,

Revolta-te, volta-te e revolta-te!

Pinta um novo dia,

Acorda e revolta-te.

É preciso destruir,

Para que se possa reconstruir.

Acorda e une-te também,

A quem ajuda quem com fome não dorme.

 

(Francisco Ferreira)

 

 

Breve…

 

Parece-me o mesmo, hoje.

Milhares de cavalos a arrastarem-me.

Parece-me o mesmo, o que dizes.

Milhares de vozes a chorarem bem alto.

Caio em mim, vejo que nada sobrou,

Apenas milhares de dedos a arrastarem-me para baixo, para baixo.

Nunca quero abrandar, continuo a forçar.

Nunca querendo abrandar, o que sinto e o que sei

Em breve, mudará, em breve.

Parece-me o mesmo, as tuas maneiras de andar.

Milhares de mentiras de que lavas as mãos.

Caio em mim, vejo que nada sobrou,

Apenas milhares de degraus a arrastarem-me para baixo, para baixo.

Nunca quero abrandar, continuo a forçar.

Nunca querendo abrandar, o que sinto e o que sei

Em breve mudará.

Parece-me amarras, o que todos me oferecem

Não deixarei que me prendam as mãos, continuarei a forçar,

Nunca abrandarei, em breve tudo mudará.

Mudará o passado, o conhecimento de amanhã

Transporta-me no meu caminho.

Sinto-te a pressionar-me, estas palavras deixadas por dizer

Mudam, mudam em nome da mudança.

Parece-me o mesmo, o que dizes.

Milhares de pedaços de algodão em que caminhas.

Parece-me o mesmo, o que dizer.

Milhares de vozes a chamarem-te bem alto.

Caio em mim, vejo que nada sobrou,

Apenas milhares de cavalos a arrastarem-me para baixo, para baixo.

Nunca quero abrandar, continuo a andar.

Nunca querendo acalmar, o que sinto e o que sei.

Parece-me amarras, o que todos me oferecem.

Não deixarei que me prendam as mãos, continuarei a abraçar

A ser Eu, sem magoar.

Nunca quero abrandar,

Em breve tudo irá mudar. 

 

(Francisco Ferreira)

Sem tal, não vês!

Talvez, eu não quisesse tratar-te mal

mas fi-lo de qualquer modo.

Talvez, alguns diriam que a tua vida é triste

mas viveste-a de qualquer modo.

Talvez, os amigos que te rodeiam, apenas te vejam tropeçar

enquanto cais pelo chão.

Talvez um dia, os teus amigos estejam ao teu lado enquanto voas

tão alto quanto mereces.

Mas um dia, as pessoas irão olhar para ti, de um mundo que chamam delas

e ver-te-ão sofrer.

Um dia, demoraremos o nosso tempo, para afastar as folhas da tristeza, para que nos reencontremos.

Por que me abandonaste tão para trás?

Talvez, eu não quisesse tratar-te mal

mas fi-lo de qualquer modo.

Talvez, alguns diriam que a tua vida é o que fazes dela

mas não a podias fazer.

Sei bem, sonhei os meus próprios erros

mas vivi-os e aprendi.

Talvez, possamos partilhar um dia sò,

vermos o que errou,

vermos o que passou.

Mas um dia chega amanhã, faz sentido o medo que sinto por ti na minha mente

e tropeças para descobrir.

Não sou tão friamente duro quando perdes controlo,

Pena que me tenhas deixado tão cedo,

Devias ter-me dito, mas abandonaste-me bem para trás.

Talvez, eu não quisesse tratar-te mal

mas fi-lo de qualquer modo.

Talvez, alguns diriam que a tua vida é o que fazes dela

mas podias ter-me evitado a dor.

mas não.

Talvez te lembres, alguns diriam que a tua vida não é o que ouviste

mas não podias partilhar a dor.

e agora é triste, os tempos mudaram, amigos perdidos, vêem-te tropeçar pelo chão, a sofrer, e aguentam-te lá

apenas para se sentirem melhor. 

Aguenta-te a mim, sozinho, não te quis tratar mal

mas abandonaste-me bem lá atrás.

 

(Francisco Ferreira)

Sol e Lua

Apago a noite dos meus olhos, desimpeço o dia solarengo e escondo-me. Tudo se desmorona em nosso redor, sinto a falta da chuva.

Sinto-me mais feliz hoje e agora, não me decepciones, não me deixes ir. Uma mudança de estação na sua cabeça, com o tempo irá decidr continuar o seu caminho.

Mudamos de direcção, observamos as correntes e acomodamo-nos algumas vezes; formamos restrições e desenhamos linhas, assim separamos o nós em eu e tu.

Por vezes carregamos mais peso do que deveriamos, e outras vezes não carregamos nenhum. A noite anda de mão dada com o dia, Sol e Lua, afina-nos depois de mais um dia desgastante, e chora bem alto, a noite.

Ela hoje ´sente-se mais feliz, hoje e agora, não a decepcionarei, não a deixarei ir, penso. Não há razões, não há mentiras, simplesmente sangramos juntos, e assim nos descobrimos. O caminho por onde passaremos por tudo novamente, e pintaremos de dourado onde era prata e de azul onde outrora era cinzento, por entre os livros de colorir que vivemos.

Tenho tudo o que para mim preciso, em ti!

(Francisco Ferreira)


 

Powered by Blog.com