Parece-me o mesmo, hoje.
Milhares de cavalos a arrastarem-me.
Parece-me o mesmo, o que dizes.
Milhares de vozes a chorarem bem alto.
Caio em mim, vejo que nada sobrou,
Apenas milhares de dedos a arrastarem-me para baixo, para baixo.
Nunca quero abrandar, continuo a forçar.
Nunca querendo abrandar, o que sinto e o que sei
Em breve, mudará, em breve.
Parece-me o mesmo, as tuas maneiras de andar.
Milhares de mentiras de que lavas as mãos.
Caio em mim, vejo que nada sobrou,
Apenas milhares de degraus a arrastarem-me para baixo, para baixo.
Nunca quero abrandar, continuo a forçar.
Nunca querendo abrandar, o que sinto e o que sei
Em breve mudará.
Parece-me amarras, o que todos me oferecem
Não deixarei que me prendam as mãos, continuarei a forçar,
Nunca abrandarei, em breve tudo mudará.
Mudará o passado, o conhecimento de amanhã
Transporta-me no meu caminho.
Sinto-te a pressionar-me, estas palavras deixadas por dizer
Mudam, mudam em nome da mudança.
Parece-me o mesmo, o que dizes.
Milhares de pedaços de algodão em que caminhas.
Parece-me o mesmo, o que dizer.
Milhares de vozes a chamarem-te bem alto.
Caio em mim, vejo que nada sobrou,
Apenas milhares de cavalos a arrastarem-me para baixo, para baixo.
Nunca quero abrandar, continuo a andar.
Nunca querendo acalmar, o que sinto e o que sei.
Parece-me amarras, o que todos me oferecem.
Não deixarei que me prendam as mãos, continuarei a abraçar
A ser Eu, sem magoar.
Nunca quero abrandar,
Em breve tudo irá mudar.
(Francisco Ferreira)
