Monday, July 7, 2008

Chegada

Se quiseres caminhar um pouco,
Podíamos desperdiçar este dia.
Segue-me pelas árvores,
Eu afasto os ramos.
 
Traz algumas mudanças até à ponte
Traz algum álcool também.
Ali faremos o nosso último desejo,
Mesmo antes da queda.
 
Promete que serei para sempre teu,
Promete não dizer outra palavra.
O que está feito assim o está,
Sempre a sorte acompanhou.
 
Olha o pôr-do-sol sozinho,
Sentado nos carris.
Ouve o comboio trovar adiante,
Nunca voltará.
 
Deitado silencioso na relva,
Tudo está parado.
Pedras de rio e ramos partidos,
Amontoados na montanha.
 
Promete que serei para sempre teu,
Promete não dizer outra palavra.
Aqui eternamente bem enterrado na terra,
O que está feito assim o está,
Sempre a sorte acompanhou.

( Francisco Ferreira )

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Tuesday, November 13, 2007

Fugitivo

Temos a alma, temos o espírito
Para nos mantermos vivos, continuamos a correr.
A casa arde, manchada de petróleo
Mantemo-nos em fuga, um passo à frente das chamas.

Somos os ignitores
Mais rápido vamos, antes que nos apanhem!
Talvez vejamos, talvez não
A tua cara, enquanto atiramos a pedra.

Sou um fugitivo em corrida
Carrego o peso do que fiz.

Aqueles que nasceram do suor,
por entre olhares apaixonados,
trazem mais vida,
do que por outros emanado.

Não é por seres de onde és mas para onde vais
E por o que acreditas é mais do que o que sabes.
Abre a tua mente! Abre a tua mente!
Agarra-me bem, enquanto saltamos para o abismo.

Sou um fugitivo em corrida,
Carrego o peso do que fiz.

Não carregues, tu também, o peso, não carregues.
Não consegues mudar o mundo, 
Consegues mudar o que está para vir,
O mundo não, certamente,
O que está para vir, 
A ti pertence.

Sou um fugitivo em corrida,
Carrego o peso do que fiz.

( Francisco Ferreira )

 

 
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Tuesday, June 12, 2007

Negativo

 

Até que, então, o vejo.

O anjo dos meus pesadelos, a sombra de fundo na morgue,

a vítima inesperada experimenta a escuridão do vale.

Não há mais liberdade.

Se quiseres, poderás sempre encontrar-me,

teremos o nosso Carnaval, na véspera de Natal,

e à noite, desejaremos que não acabe nunca,

nunca acabe.

Aonde estás? Desculpa-me,

não consigo dormir, não consigo sonhar esta noite.

Preciso de alguém e sempre

a sombra volta para me assombrar.

Enquanto fixo, pasmado, conto

todas as teias das aranhas

que vão capturando alguns mais,

enfartando-se, roubando-lhes o interior.

Indeciso de te alcançar,

ouvir a tua voz da razão.

Volta e acaba com esta dor esta noite,

acaba esta noite.

Sem ti,

quente, numa caixa, sem ar, respiro.

Em fumo, o meu figurino acena.

Sem mim.  

 

(Francisco Ferreira)

 

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Sunday, June 3, 2007

Perdidos

Lembras-te de aquela noite,

escadas brancas descendo do luar?

Elas levaram-te por espaços abertos,

ambientes desertos.

Crianças ganham altura,

em baloiços enferrujados,

partilhando um sonho

numa ilha, parecia correcto.

Mantivemo-nos lado-a-lado,

entre a lua e a corrente,

fazendo o mapa das estrelas,

perdemo-nos.

Deixamos a noite cercar-nos

a meio caminho das estrelas,

flutuamos, libertamo-nos.

Sentimos a caminhada segura ao nosso lado.

Lembras-te de aquela noite,

o calor e o riso?

As velas queimavam, embora a igreja

estivesse deserta.

Caminhamos juntos, por ruas vazias,

até ao porto.

Os sonhos podem partir,

mas ouvem cada riso.

Deixamos a noite cercar-nos

a meio caminho das estrelas,

flutuamos, libertamo-nos.

Sentimos o calor ao nosso lado.

 

(Francisco Ferreira)

 

 

 

 

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Friday, April 27, 2007

Difícil dizer

 

Descubro que é difícil dizer

Que tudo está bem.

Não olhes para mim dessa maneira,

Como se tudo estivesse bem.

Porque os meus próprios olhos não conseguem ver

Através de todos os falsos pretextos.

Mas o que não consegues ver

São todas as consequências.

Julgas as nossas vidas baratas,

Fáceis de serem desperdiçadas.

Enquanto a história se repete,

Tão falsa e mirrada.

E enquanto as pessoas dormem,

Demasiado confortáveis para a enfrentarem,

As suas vidas tão incompletas,

E nada as pode substituir.

E eu digo, não te amedrontes,

Com estas leis dos Homens.

Porque já a Bíblia diz:

“O seu sangue está nas suas mãos”.

E o que eu tenho a dizer, o que direi,

Revolta-te enquanto hoje é hoje,

Escolhe bem, não podes continuar por esse caminho,

Escolhe.

E enquanto as pessoas dormem,

Demasiado confortáveis para a enfrentarem,

As suas vidas tão incompletas,

E nada, e ninguém, as pode substituir.

E o que eu tenho a dizer, tenho de dizer,

Revolta-te, volta-te e revolta-te!

Pinta um novo dia,

Acorda e revolta-te.

É preciso destruir,

Para que se possa reconstruir.

Acorda e une-te também,

A quem ajuda quem com fome não dorme.

 

(Francisco Ferreira)

 

 

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Monday, February 26, 2007

Breve…

 

Parece-me o mesmo, hoje.

Milhares de cavalos a arrastarem-me.

Parece-me o mesmo, o que dizes.

Milhares de vozes a chorarem bem alto.

Caio em mim, vejo que nada sobrou,

Apenas milhares de dedos a arrastarem-me para baixo, para baixo.

Nunca quero abrandar, continuo a forçar.

Nunca querendo abrandar, o que sinto e o que sei

Em breve, mudará, em breve.

Parece-me o mesmo, as tuas maneiras de andar.

Milhares de mentiras de que lavas as mãos.

Caio em mim, vejo que nada sobrou,

Apenas milhares de degraus a arrastarem-me para baixo, para baixo.

Nunca quero abrandar, continuo a forçar.

Nunca querendo abrandar, o que sinto e o que sei

Em breve mudará.

Parece-me amarras, o que todos me oferecem

Não deixarei que me prendam as mãos, continuarei a forçar,

Nunca abrandarei, em breve tudo mudará.

Mudará o passado, o conhecimento de amanhã

Transporta-me no meu caminho.

Sinto-te a pressionar-me, estas palavras deixadas por dizer

Mudam, mudam em nome da mudança.

Parece-me o mesmo, o que dizes.

Milhares de pedaços de algodão em que caminhas.

Parece-me o mesmo, o que dizer.

Milhares de vozes a chamarem-te bem alto.

Caio em mim, vejo que nada sobrou,

Apenas milhares de cavalos a arrastarem-me para baixo, para baixo.

Nunca quero abrandar, continuo a andar.

Nunca querendo acalmar, o que sinto e o que sei.

Parece-me amarras, o que todos me oferecem.

Não deixarei que me prendam as mãos, continuarei a abraçar

A ser Eu, sem magoar.

Nunca quero abrandar,

Em breve tudo irá mudar. 

 

(Francisco Ferreira)

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Saturday, February 10, 2007

Sem tal, não vês!

Talvez, eu não quisesse tratar-te mal

mas fi-lo de qualquer modo.

Talvez, alguns diriam que a tua vida é triste

mas viveste-a de qualquer modo.

Talvez, os amigos que te rodeiam, apenas te vejam tropeçar

enquanto cais pelo chão.

Talvez um dia, os teus amigos estejam ao teu lado enquanto voas

tão alto quanto mereces.

Mas um dia, as pessoas irão olhar para ti, de um mundo que chamam delas

e ver-te-ão sofrer.

Um dia, demoraremos o nosso tempo, para afastar as folhas da tristeza, para que nos reencontremos.

Por que me abandonaste tão para trás?

Talvez, eu não quisesse tratar-te mal

mas fi-lo de qualquer modo.

Talvez, alguns diriam que a tua vida é o que fazes dela

mas não a podias fazer.

Sei bem, sonhei os meus próprios erros

mas vivi-os e aprendi.

Talvez, possamos partilhar um dia sò,

vermos o que errou,

vermos o que passou.

Mas um dia chega amanhã, faz sentido o medo que sinto por ti na minha mente

e tropeças para descobrir.

Não sou tão friamente duro quando perdes controlo,

Pena que me tenhas deixado tão cedo,

Devias ter-me dito, mas abandonaste-me bem para trás.

Talvez, eu não quisesse tratar-te mal

mas fi-lo de qualquer modo.

Talvez, alguns diriam que a tua vida é o que fazes dela

mas podias ter-me evitado a dor.

mas não.

Talvez te lembres, alguns diriam que a tua vida não é o que ouviste

mas não podias partilhar a dor.

e agora é triste, os tempos mudaram, amigos perdidos, vêem-te tropeçar pelo chão, a sofrer, e aguentam-te lá

apenas para se sentirem melhor. 

Aguenta-te a mim, sozinho, não te quis tratar mal

mas abandonaste-me bem lá atrás.

 

(Francisco Ferreira)

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Monday, January 22, 2007

Sol e Lua

Apago a noite dos meus olhos, desimpeço o dia solarengo e escondo-me. Tudo se desmorona em nosso redor, sinto a falta da chuva.

Sinto-me mais feliz hoje e agora, não me decepciones, não me deixes ir. Uma mudança de estação na sua cabeça, com o tempo irá decidr continuar o seu caminho.

Mudamos de direcção, observamos as correntes e acomodamo-nos algumas vezes; formamos restrições e desenhamos linhas, assim separamos o nós em eu e tu.

Por vezes carregamos mais peso do que deveriamos, e outras vezes não carregamos nenhum. A noite anda de mão dada com o dia, Sol e Lua, afina-nos depois de mais um dia desgastante, e chora bem alto, a noite.

Ela hoje ´sente-se mais feliz, hoje e agora, não a decepcionarei, não a deixarei ir, penso. Não há razões, não há mentiras, simplesmente sangramos juntos, e assim nos descobrimos. O caminho por onde passaremos por tudo novamente, e pintaremos de dourado onde era prata e de azul onde outrora era cinzento, por entre os livros de colorir que vivemos.

Tenho tudo o que para mim preciso, em ti!

(Francisco Ferreira)


 

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Thursday, January 18, 2007

Cinzento

 

A calma dominava a rua, como um coração que páradepois de tanto sofrer, rende-se esgotada. Apenas memórias de poucos e pinturas de ninguém, ruas mortas, vazias. As pessoas que irrigavam o centro da cidade, abandonaram-na, já não a bombeiam de vida. Apenas a lua, o negro e o branco.

Uma palavra é berrada das entranhas do homem que experenciou injustiça, descriminação, exclusão (palavras mais estridentes que o som de um disparo, mais suaves que o riso de um bébé). Irá passar, sabe que sim, irá passar como sempre aconteceu. Se levarmos rápidamente as mãos aos olhos para os tapar mesmo a tempo, então nada acontecerá, como uma árvore que cai e ninguém está lá para presenciar também, então, nunca cai, ou cairá? E continuará a não acontecer nada até que seja cuspida violentamente dos lábios do próximo homem que já não mais aguente. Alguém falou em Revolução? Ou estará tudo na sua cabeça? Será isso o necessário para descobrir uma solução?

Não é o primeiro nem o último a imaginá-la. Interioriza os conceitos, questiona-os, agarra-os para forçar a derrota dos opressores. Contra o Eu! O derrube de O Próprio! Contra o egoismo generalizado e o materialismo impeditivo de voluntariado, a vontade de mudar ajudando. Amotina-te! Destrona-te! A rebelião começa entretanto, o tempo é agora! Alguém falou de Revolução?

Por entre céus avermelhados, olhos endiabrados, hipnotizados. Por entre pequenas mentiras, compromissos desfeitos, espectáculos de luzes, samurais, parasitas, vôos nocturnos além da vida.

Todos iguais, estereotipados, façam ou oponham-se, preto e branco. Alguém falou em Revoluçao? Pelo menos alguém falou. Luta pelo o que acredita. E se o que se acredita for verdadeiro por dentro, ergue-te e defende-o, ou deita-te e desiste.

E o homem chegou e agarrou a sua escolha, pelo direito a (con)viver em paz e apreciar a vida, lutou por entre céus cinzentos. Lê-se hoje nas paredes das ruas por onde todos passam indiferentes e distantes: Vive Livre! Respira Livre! Morre Livre!

Morreria para respirar de novo.

(Francisco Ferreira)

 

 

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Friday, December 15, 2006

Sotão

 

Um dia espero vir a fazê-lo, ladear-me da sua companhia e escrever juntos, por páginas áridas, cortando o gelado branco com a caneta que partilhamos, derreter o manto do que em tempos foi e a maturidade impede que o volte a ser.

Assim foi, apenas um desejo deixado escapar por uma frincha de emoções, que muitas vezes julguei atiradas no frio sotão, escuro, para nossa protecção e talvez não só, sempre só. Não pude de deixar fugir um tímido riso, seria tal verdade? Os risos são frequentemente dúbeis, talvez também o tenha sido, mas a simplicidade dos acontecimentos está em quem os observa, e o meu foi simples! Um riso de júbilo, de fase ultrapassada, de serenidade, de compreensão mútua, muito sacríficio, mas mais ainda, de maturidade.

Essa mesmo, que impede que tudo volte a ser. E não o será certamente.

Espero um dia estar a lê-lo. Para mim, para todos, sozinho, acompanhado, uma vez, imensas, sussurrando, bradando, lê-lo. Para saber, vincadamente, que um riso pode conter em ele toda uma vontade de mudar, e mostrar que percebemos e compreendemos todo o caminho que leva à porta, que leva às escadas, que nos guia ao sotão, e faz clique!

Agora que vejo, tudo é mais simples, agora que vejo!

 

 

(Francisco Ferreira)

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