Monday, January 22, 2007

Sol e Lua

Apago a noite dos meus olhos, desimpeço o dia solarengo e escondo-me. Tudo se desmorona em nosso redor, sinto a falta da chuva.

Sinto-me mais feliz hoje e agora, não me decepciones, não me deixes ir. Uma mudança de estação na sua cabeça, com o tempo irá decidr continuar o seu caminho.

Mudamos de direcção, observamos as correntes e acomodamo-nos algumas vezes; formamos restrições e desenhamos linhas, assim separamos o nós em eu e tu.

Por vezes carregamos mais peso do que deveriamos, e outras vezes não carregamos nenhum. A noite anda de mão dada com o dia, Sol e Lua, afina-nos depois de mais um dia desgastante, e chora bem alto, a noite.

Ela hoje ´sente-se mais feliz, hoje e agora, não a decepcionarei, não a deixarei ir, penso. Não há razões, não há mentiras, simplesmente sangramos juntos, e assim nos descobrimos. O caminho por onde passaremos por tudo novamente, e pintaremos de dourado onde era prata e de azul onde outrora era cinzento, por entre os livros de colorir que vivemos.

Tenho tudo o que para mim preciso, em ti!

(Francisco Ferreira)


 

Posted by Chico at 11:09:38 | Permalink | Comments (2)

Thursday, January 18, 2007

Cinzento

 

A calma dominava a rua, como um coração que páradepois de tanto sofrer, rende-se esgotada. Apenas memórias de poucos e pinturas de ninguém, ruas mortas, vazias. As pessoas que irrigavam o centro da cidade, abandonaram-na, já não a bombeiam de vida. Apenas a lua, o negro e o branco.

Uma palavra é berrada das entranhas do homem que experenciou injustiça, descriminação, exclusão (palavras mais estridentes que o som de um disparo, mais suaves que o riso de um bébé). Irá passar, sabe que sim, irá passar como sempre aconteceu. Se levarmos rápidamente as mãos aos olhos para os tapar mesmo a tempo, então nada acontecerá, como uma árvore que cai e ninguém está lá para presenciar também, então, nunca cai, ou cairá? E continuará a não acontecer nada até que seja cuspida violentamente dos lábios do próximo homem que já não mais aguente. Alguém falou em Revolução? Ou estará tudo na sua cabeça? Será isso o necessário para descobrir uma solução?

Não é o primeiro nem o último a imaginá-la. Interioriza os conceitos, questiona-os, agarra-os para forçar a derrota dos opressores. Contra o Eu! O derrube de O Próprio! Contra o egoismo generalizado e o materialismo impeditivo de voluntariado, a vontade de mudar ajudando. Amotina-te! Destrona-te! A rebelião começa entretanto, o tempo é agora! Alguém falou de Revolução?

Por entre céus avermelhados, olhos endiabrados, hipnotizados. Por entre pequenas mentiras, compromissos desfeitos, espectáculos de luzes, samurais, parasitas, vôos nocturnos além da vida.

Todos iguais, estereotipados, façam ou oponham-se, preto e branco. Alguém falou em Revoluçao? Pelo menos alguém falou. Luta pelo o que acredita. E se o que se acredita for verdadeiro por dentro, ergue-te e defende-o, ou deita-te e desiste.

E o homem chegou e agarrou a sua escolha, pelo direito a (con)viver em paz e apreciar a vida, lutou por entre céus cinzentos. Lê-se hoje nas paredes das ruas por onde todos passam indiferentes e distantes: Vive Livre! Respira Livre! Morre Livre!

Morreria para respirar de novo.

(Francisco Ferreira)

 

 

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